O papel fundamental dos astrócitos no funcionamento neuronal de indivíduos com transtornos do espectro do autismo

No início deste mês foi publicada na revista científica Biological Psychiatry, um estudo conduzido pela neurocientista Patrícia Beltrão Braga, do Instituto de Ciências Biomédicas da USP, junto com uma equipe de pesquisadores, que traz detalhes inéditos sobre as alterações neurológicas presentes em indivíduos com transtornos do espectro do autismo (TEA), e aponta perspectivas animadoras de intervenções terapêuticas.

Observou-se que os neurônios de indivíduos com TEA realizam menos sinapses que os neurônios de um indivíduo neurotípico, e que os astrócitos (células da glia que dão suporte para o funcionamento do neurônios) são os responsáveis por essa alteração. A equipe identificou que os astrócitos de indivíduos com TEA encontravam-se inflamados, observando especificamente que a citocitna IL-6 estava muito aumentada, resultando em um desequilíbrio homeostático e falhas na sinaptogênese.

Ao bloquear a citocina IL-6, observou-se melhora nas ramificações dos neurônios e também o aumento do número de sinapses, recuperando a funcionalidade neuronal. Esses resultados foram obtidos à partir da aplicação da técnica de reprogramação celular, utilizando a polpa dos dentes de leite de indivíduos com TEA, na qual foi possível produzir células-tronco, e assim obter células neurais.

Dessa forma, ainda que a técnica necessite de futuros ensaios clínicos, abriu-se uma perspectiva promissora de intervenção medicamentosa, que vem somar aos já consistentes resultados obtidos por terapias interdisciplinares (na qual a musicoterapia está inserida) na melhora do desenvolvimento de indivíduos com TEA.

No vídeo a seguir, a equipe de pesquisa descreve os detalhes do estudo:

 

Para outras reportagens explicativas publicadas pelos pesquisadores, acesse o Canal USP do Youtube.

É possível adquirir o artigo em inglês, clicando AQUI.

RUSSO, Fabiele Baldino; FREITAS, Beatriz Camille; PIGNATARI, Graciela Conceição; FERNANDES, Isabella Rodrigues; SEBAT, Jonathan; MUOTRI, Alysson Renato, BELTRÃO-BRAGA, Patricia Cristina Baleeiro. Modeling the interplay between neurons and astrocytes in autism using human induced pluripotent stem cells. Biological Psychiatry, October, 2017. ISSN 0006-3223, https://doi.org/10.1016/j.biopsych.2017.09.021.

 

 

 

 

 

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Os benefícios da prática musical para o nosso cérebro

Sabemos que as experiências musicais engajam diversas redes neurais, ativando o cérebro de forma bastante abrangente.

Para compreender de uma maneira simples como isso funciona, recomendo a animação feita por Anita Collins para o TED-Ed: “How playing an instrument benefits your brain” (clique para assistir) .

Em menos de 5 minutos, ela consegue ilustrar em uma linguagem clara e descomplicada alguns conceitos importantes da neurociência da música. O vídeo está em inglês, com legendas disponíveis em português (caso a tradução não apareça automaticamente, você pode ativar a exibição da legenda clicando no primeiro ícone do canto inferior direito do vídeo).

 

 

Semana do Musicoterapeuta

No dia 15 de Setembro é comemorado no Brasil o dia nacional do Musicoterapeuta.

Em São Paulo, esta data está sendo homenageada com a realização da XV Semana de Musicoterapia, o XV Fórum Paulista de Musicoterapia e a II Jornada Científica de Musicoterapia. Esses eventos, que começaram hoje e vão até sexta-feira no Campus Santo Amaro da FMU, são gratuitos e abertos ao público.

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Musicoterapia em UTI Neonatal

Estudos feitos pela Universidade Federal de Goiás tem mostrado que intervenções musicoterapêuticas podem contribuir para a recuperação de pacientes internados em Unidades de Tratamento Intensivo Neonatal.

Resultados preliminares indicam que mães e bebês podem ser beneficiados, com melhora dos parâmetros cardíacos e diminuição dos níveis de ansiedade.

Clique aqui para ler a reportagem no OHoje.com

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A música nunca parou

Estréia este mês no circuito de cinemas brasileiros “A música nunca parou”, filme baseado no ensaio “O último Hippie” de Oliver Sacks (publicado em seu livro “Um antropólogo em Marte”).

O longametragem é de 2011, foi selecionado para a premiere de gala no Festival Sundance de cinema, mas só agora está chegando às telonas do Brasil.

Segundo o próprio Oliver Sacks, “O filme é um testemunho comovente, não só do amor entre um pai e seu filho, mas do poder miraculoso da música de curar um cérebro danificado. O ato de lembrar de uma música, ouvi-la ou tocá-la, é totalmente feito no presente, e, enquanto dura, ele pode até mesmo preencher o abismo da amnésia extrema ou da demência. A música pode ser mais poderosa do que qualquer droga.”

O personagem do filme, Gabriel Sawyer, é baseado na história de um paciente que o Dr.Sacks começou a acompanhar no final da década de 70, a quem conhecemos no livro por Greg F. Ele é um rapaz que, com uma amnésia causada por um tumor cerebral, não consegue mais armazenar novos eventos em sua memória. Sua memória musical, no entanto, permaneceu intacta, principalmente de suas bandas preferidas dos anos 60, como Bob Dylan, Grateful Dead, Beatles, Rolling Stones, entre outros. Ao examinar Greg, Dr.Sacks notou que, por ele não poder mais se lembrar de eventos contemporâneos, ele parecia ter-se estacionado à década de 60.

Greg recebeu assistência de vários terapeutas, entre eles uma musicoterapeuta, que o ajudou a ampliar seu repertório, aprender novas músicas e usar jingles para auxiliar na sua orientação temporal e espacial. A música conseguia organizar e ritmar seus pensamentos e despertar partes de sua memória adormecidas.

Assistam ao trailer legendado do filme, que está sendo aguardado ansiosamente pela comunidade musicoterapeuta e por todos os amantes de música.

Médicos enxergam resultado de musicoterapia no apoio emocional e combate à dor

Em reportagem exibida neste domingo pelo Fantástico, pudemos acompanhar depoimentos de musicoterapeutas, médicos, familiares e pacientes do Hospital da Criança de Brasília, mostrando o poder curativo da música. Nela são exemplificados os benefícios que a musicoterapia pode trazer, como: dar suporte emocional ao paciente em tratamento de câncer, estimular a comunicação e expressão dos autistas, trabalhar estruturas cognitivas em crianças com dificuldades de aprendizagem ou deficit de atenção, ajudar no controle da dor, combater doenças psicossomáticas através do relaxamento, etc. Assista aqui à reportagem